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Novidades 2022 - Catálogo Editorial

Egosismo

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"Orlando Castro tenta nos caracterizar a sua poesia, principalmente aquela que vem do seu mais profundo sentimento de Angolanidade, como se de um moderno bardo se cuidasse que canta as profundas mágoas que se adivinhavam, à época – como adiante perceberão –, na História nacional." in prefácio

Autor: Orlando Castro

Editora: Alende - Edições (Angola) | Perfil Criativo - Edições (UE - Portugal)

Ano de publicação: Março de 2022, 1.ª edição

Edição de Angola - ISBN: 978-989-53276-7-6

Edição de Portugal - ISBN: 978-989-53348-7-2

Língua: Português

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PREFÁCIO

Quando o poeta é livre como o catuituí, nada há que o engaiole…*

Diz o adágio popular que de poetas e loucos todos temos um pouco. Eu acrescentaria de poetas, de loucos e de projectistas, na realidade além de tudo termos um pouco, também todos somos pouco realistas.


As nossas realidades estão sempre para além do que é convencionalmente definido como normal. Caminhamos sonhadores na lua, navegamos indolentes nas ondas marinhas dos nossos pensamentos, planamos nas vagas livres do vento. Ou seja, de facto, somos loucos, mas…


Somos loucos, porque queremos sempre mais e melhor o impossível, no que a verdade mostra, na maioria dos casos, ser impraticável, inexequível; como projectistas, nem sempre – em muitas vezes, nunca – conseguimos transmitir e reproduzir, convenientemente as nossas, para alguns estapafúrdias, ideias; como poetas, não raramente, somos pouco levados a sério porque brincamos com as palavras, fazemo-las dançar e misturamos a realidade concreta com a emoção afectiva, por vezes, dolorosa.


Por isso – e a culpa, uma grande parte da culpa do que nas palavras sou, é dele – me senti tanto honrado, como à vontade, para prefaciar esta obra de Orlando Castro.


Não vou me alongar muito sobre quem é – ou na lírica, mas não romântica, definição de José Filipe Rodrigues continua a ser, – Orlando Castro. Direi que a escola lhe disse que, se porfiasse, jornalista seria. Mas Orlando não quis ser só isso: ele é poeta e dramaturgo, pensador livre sem pensos para curar ou calar, jornalista firme nas ideias e nas convicções. Mas também, alguém que tem dado a mão e lançado nas acéticas páginas brancas de muitas folhas muita gente, Angolanos, principalmente ainda que não unicamente, que procuravam ser escritores.


Tem sido um Kamba que, alguns muitos, se acoitaram na sua simpatia, no seu companheirismo, no seu saber e, depois, se esqueceram de retirar as pedras que ele, como todos nós, foi encontrando ao longo deste seu sinuoso caminho que a vida lhe concedeu.


Alguns, muitos – embora Orlando Castro nunca o mostre claramente e nunca os denunciou –, não só não lhe tiraram as tais pedras no caminho como ainda ajudaram a montar mais pedras que lhe atulhassem essa vereda da vida.


Só que os poetas têm uma virtude, para muitos estranha, para outros, incompreensível, para outros mais, esotérica: as pedras no caminho não são escolhos, mas partes de uma via que nos fortalece e nos torna melhores entendedores das “loucuras”, do “farol”, da “desleixação” que – eternamente – “fecunda” o poeta, como Orlando Castro nos mostra no seu poema “Poeta” inserido na primeira parte da obra.


Orlando Castro tenta nos caracterizar a sua poesia, principalmente aquela que vem do seu mais profundo sentimento de Angolanidade, como se de um moderno bardo se cuidasse que canta as profundas mágoas que se adivinhavam, à época – como adiante perceberão –, na História nacional.


O seu primeiro livro de poesia, escrito e publicado na sua, então, Nova Lisboa – Huambo –, em 1975, intitulado “Algemas da Minha Traição” – que mereceu um louvor de um dos membros do então Colégio Presidencial do Governo de Transição, José Ndele, conforme se pode constatar pelo fac-simile da página 6 [a confirmar, posteriormente pelo editor] – mostrava já o que Orlando Castro previa, como todos nós que amamos o nosso País o sentíamos: Angola tinha entrado num perigoso vórtice que iria mudar a vida de muitos.


Mas, Orlando Castro, tal como todos os que sentem Angola como a proteína indispensável para uma boa e correcta fluidez sanguínea, sentia que teria, ou poderia vir a ter, a necessidade de procurar paragens, outros chãos, de certa forma agrestes – sempre que de nós saímos, / em nós nos enfermamos, / nos desconformamos, / e outros chãos nos achacam (inédito ) –, para não calar o sentimento que nele crescia de trovar o chão-pátrio onde o sol é mais forte, o vento mais longe as loas leva e a chuva mais pura a vida torna, na esperança de, como António Agostinho Neto cantou, Às casas, às nossas lavras / às praias, aos nossos campos / havemos de voltar. Porque, como Tomaz Vieira da Cruz escreveu, cantando a nossa Angola, esta é Jardim que é sol em cada flor selvagem, / Jardim que é febre em cada fruto amargo”! / E as flores dessas montanhas aromáticas, / céus e paisagens dramáticas, / são iluminuras / de apagadas criaturas / sepultadas nos caminhos / por onde a raça existe para além desses caminhos. / Caminhos que são almas legionárias / marcando novos trilhos…


E foi o que Orlando Castro procurou, fez, escreveu no período de 1975 a 1980 e que agora nos dá a ler. Com a devida vénia a Jorge Dario Santos Lapa, em comentário ao livro de Óscar Ribas, Misoso, “trata-se de um documento muito pessoal e cheio de valor sócio-cultural e até histórico” como se poderá ler nas cerca de 180 páginas que compõe o seu, e, em breve, nosso “Egosismo”.


A obra está dividida em duas partes e temporalmente compila toda uma colectânea de poemas que escreveu nos primeiros anos do seu – e ainda inacabado – nomadismo por terras lusitanas.


São versos, são carmes, que cantam e desafiam o seu mais íntimo ser, os seus mais profundos e introspectivos neuro-alvéolos, num desencadeamento livre, mas não desocasionados, são fluidos, mas não esconsos, são livres, mas não despendidos.


São versos, são poemas, que nos transportam para uma realidade dura e crua onde o autor sentiu que um terrível abalo lhe transmitiu uma nova verdade mais desnuda, mais desapiedada, mais neo-real. Tão real como na ode “Arco-íris do desterro” em que o autor descanta Vou sorrir, para ti bonina violeta, / No lídimo rosa do vento / Vou erguer meu roxo punho; / Soprar a bonómica laranja corneta, / Chorar a branca alegria, sem talento / Da guerra, bélica negra sem cunho.


Apesar de Orlando Castro temer – não esqueçamos, recordo, qual o período temporal a que esta obra se reporta – que o seu e nosso País entrasse, como trovoa no poema “Angola desespero” onde Filhos dolentes / Sem braços / Chorando; / Mães descrentes / Sem passos, / Orando. também se encanta na temperança e na esperança de um horizonte longínquo que o pólen derramado haveria de fazer florir numa Angola mais livre, mais fraterna, mais cristalina, mais próspera como se infere nestas primeiras estrofes do poema “Não chores poeta” Porque choras poeta / Que vagueias na minha rua / Lacrimejando o odor de uma fonte; / Diz-me qual a tua meta, / Amemo-nos como uma nuvem nua / Que se fecunda no pólen do horizonte.


Refirmando pelo eterno princípio da palavra, é a doce loucura do poeta que nos faz caminhar sonhadores pelo platinado luar, navegar indolentes nas ondas marinhas das nossas ideias, planar pelas desocupadas frívolas noites do vento livre que nos permite, ainda que sem perder o são sentido linear de um bom e claro trilho, estar desperdido da realidade e temperado na preservante vontade de nada deixar esmorecer.


Como escreveu aquele que alguns consideram o maior poeta romântico britânico William Wordsworth (1770-1850) – poeta, não escritor lato senso, que este é, como comummente é reconhecido, William Shakespeare (1564-1616), – no poema “O Carvalho de Guernica”, Como podes florir em tempos tais? / Que esperança o Sol te traz, ou que alegria? / São-te trazidas pela maresia, / Ou por leves orvalhos matinais? / Benvindo seja o golpe que em ti caia, / E em terra alongue a tua fronde imensa, / Se nunca mais, à sua sombra densa, ou seja, Orlando Castro não tendo a perene idade do secularíssimo carvalho, onde os Reis Católicos, Fernando TII e Isabel, de Espanha, prometeram, em Guernica, em 1476, que Biscaia veria os seus foros sempre respeitados, é todavia, um Mais Velho respeitado não só pela sua principal arte profissional, o Jornalismo, como pela poesia nos continuou a transmitir após este período temporal que o “Egosismo” nos transmite.


Como depois de um cataclismo natural, vem sempre a bonança e a fruição temperadas com os viridantes frutos da engenhosidade humana, espero – esperamos – que emerja uma nova obra complementar ao “Egosismo” porque, e como referia Orlando Castro sobre o seu primeiro “fruto” das florestas da província do Huambo, “Algemas da Minha Traição”, que para ele, valia o que valia, mas, sobretudo, mostrava que nunca há comparação “entre o que se perde por não tentar e o que se perde por fracassar”.


Até lá, porque esta obra não irá fracassar, desbravemo-la como se pelas chanas Angolanas penetrássemos esquecidos do tempo e embalados pelos alegres e sonoros chilreios do catuituí.

* Eugénio Costa Almeida
(ou Lobitino Almeida N’gola)
 Investigador académico, ensaísta, escritor e poeta (nas horas vagas, quando as há…) 
Algures nos aromas atlânticos em 20 de Dezembro de 2021

978-989-53348-7-2
9 Itens

Ficha informativa

Língua
Português
Formato
110 x 200mm
Páginas
Miolo
Munken Premium Cream 90grs/m2
Impressão (Miolo)
Preto
Capa
Com Badanas
Peso
0.2 Kg
Tipografia
Perfil Criativo - Produção (UE)
Colecção
Poesia no Bolso

Referências específicas

isbn
978-989-53348-7-2
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