A primeira travessia da África Austral
Uma epopeia africana que a História quase esqueceu
No livro A Primeira Travessia da África Austral, José Bento Duarte recupera o extraordinário percurso de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, dois pombeiros angolanos que, no início do século XIX, conseguiram atravessar o interior da África Austral, ligando Angola a Moçambique e regressando ao ponto de partida. A sua viagem, amplamente documentada, produziu informações que viriam a ser conhecidas e utilizadas por exploradores posteriores, entre eles David Livingstone, cujo nome alcançou projeção mundial.
Entre expedições, encontros de povos, ambições europeias e conhecimento africano do território, este livro devolve aos dois viajantes o lugar que lhes pertence numa das grandes aventuras da História de África.
Autor: José Bento Duarte
Editora: Perfil Criativo - Edições
Ano de publicação: Julho de 2025 - 1ª edição
ISBN: 978-989-9209-19-0
Número de páginas: 260
Língua: Português
A obra coloca em destaque um feito extraordinário, durante demasiado tempo ignorado ou menosprezado: a travessia efetuada no início do século XIX por dois pombeiros angolanos – Pedro João Baptista e Anastácio Francisco — entre o planalto de Malange (Angola) e o planalto de Tete (Moçambique). Uma viagem de mais de oito anos que atravessou o coração do continente e que não poderá deixar de ser hoje reconhecida como um marco pioneiro e inolvidável da coragem, da tenacidade e do espírito de missão de dois agentes improváveis e, naquela altura, de todo inesperados.
A publicação surge num momento de grande simbolismo: os cinquenta anos da independência de Angola, os cinquenta e um anos da Revolução de Abril (regime democrático em Portugal) e um tempo de renovado debate sobre a herança colonial, a memória histórica e o reconhecimento dos protagonistas africanos nas narrativas globais. Indo ao encontro do lema da União Africana para 2025 — Justiça, não necessariamente de índole material, para os africanos e os povos de descendência africana —, o livro de José Bento Duarte adquire ainda maior atualidade e relevância. Mais do que um relato cronológico, o livro é um ensaio analítico rigorosamente documentado, construído com base em investigação de fontes históricas muito diversas.
Com o prefácio assinado por Uina yo Nkuau Mbuta (nome Kikongo do Prof. Doutor Carlos Mariano Manuel, médico, investigador e autor galardoado com o Prémio Personalidade Lusófona 2023), a obra desenvolve-se numa estrutura de vinte e um capítulos. Abordando de início as concepções míticas sobre o continente africano nascidas na Antiguidade e solidificadas na Idade Média — que tanto pesariam nalguns eventos históricos posteriores —, o livro debruça-se depois sobre os primeiros contactos entre portugueses e africanos, a progressiva instalação colonial nas costas de África entre os séculos XV e XIX, as tentativas de penetração nos sertões e a evolução geral das condições políticas que acabariam por desembocar na acidentada, dramática, mas triunfante viagem dos dois pombeiros.
«Uma grande proeza da História de Portugal — e da História de Angola também»
No artigo de opinião «A travessia que nunca ninguém fizera», publicado no Observador, José Ribeiro e Castro, advogado, antigo deputado português e europeu e atual Presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, destaca o livro A Primeira Travessia da África Austral, de José Bento Duarte, publicado pela Perfil Criativo – Edições | AUTORES.club.
Ribeiro e Castro confessa a surpresa que teve ao descobrir, através da obra, a extraordinária viagem de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, que entre 1802 e 1814 concretizaram a travessia terrestre de Angola a Moçambique e o regresso a Angola.
Ribeiro e Castro sublinha a dimensão histórica da proeza e recorda que a documentação da viagem foi posteriormente publicada e divulgada internacionalmente. O relato, traduzido para inglês, serviu a David Livingstone na preparação das suas viagens pelos territórios entre Angola e Moçambique. O explorador escocês alcançaria fama mundial, enquanto os dois protagonistas africanos permaneceriam largamente desconhecidos do grande público.
Para José Ribeiro e Castro, estamos perante «uma grande proeza da História de Portugal — e da História de Angola também». Uma apreciação que reforça a importância do trabalho de José Bento Duarte na recuperação e divulgação desta extraordinária página da História de África.
https://observador.pt/opiniao/a-travessia-que-nunca-ninguem-fizera/
ÍNDICE
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO
Capítulo 1 — Enigmas africanos
Capítulo 2 — Antropófagos, terrores e preconceitos
Capítulo 3 — Portugal, Castela e o assalto a Marrocos
Capítulo 4 — Henrique, Pedro e os rumos ultramarinos
Capítulo 5 — Primeiros avanços atlânticos
Capítulo 6 — Além do cabo Bojador
Capítulo 7 — Encontros e desencontros na Guiné
Capítulo 8 — D. João II, a Mina e o “Plano das Índias”
Capítulo 9 — Zaire: os portões da esperança
Capítulo 10 — Congo: a oportunidade perdida
Capítulo 11 — As terras esquivas do Ndongo
Capítulo 12 — A doação (19 de Setembro de 1571)
Capítulo 13 — O sonho vão de Paulo de Novais
Capítulo 14 — Fixação em Angola
Capítulo 15 — Os mares da Índia
Capítulo 16 — O drama de Calicute
Capítulo 17 — Na costa leste-africana
Capítulo 18 — Fixação em Moçambique
Capítulo 19 — Preparando a travessia: Correia Leitão no Cassange
Capítulo 20 — Lacerda e Almeida e a barreira fatal do Cazembe
Capítulo 21 — A travessia de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco
CONCLUSÃO — Um mistério nas ruas de Lisboa
ANEXOS
ANOTAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS
BIBLIOGRAFIA
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