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Canto Terceiro da Sereia: O Encanto

Price: 12,99 €
Com IVA

CD-Música de Filipe Mukenga e Filipe Zau

O “Canto Terceiro da Sereia, o Encanto” faz parte de uma trilogia musical inspirada na “Kianda”, figura mitologia dos pescadores da Ilha de Luanda.

Este lítero-musical tem como pano de fundo as memórias de um tripulante em navios da antiga marinha mercante e de um seu irmão, condutor de uma máquina a vapor na antiga linha férrea do Amboim. A razão do reencontro, após um afastamento forçado, se deveu ao facto de o café produzido no interior da província do Kwanza Sul ser, na década de 50, transportado pelo corredor Gabela/Porto Amboim, para, depois de armazenado nos grandes armazéns do litoral, ser exportado para o mundo em navios cargueiros atracados ao largo, por falta de um porto acostável.

Língua: Português

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O “Canto Terceiro da Sereia, o Encanto” faz parte de uma trilogia musical inspirada na “Kianda”, figura mitologia dos pescadores da Ilha de Luanda.

Este lítero-musical tem como pano de fundo as memórias de um tripulante em navios da antiga marinha mercante e de um seu irmão, condutor de uma máquina a vapor na antiga linha férrea do Amboim. A razão do reencontro, após um afastamento forçado, se deveu ao facto de o café produzido no interior da província do Kwanza Sul ser, na década de 50, transportado pelo corredor Gabela/Porto Amboim, para, depois de armazenado nos grandes armazéns do litoral, ser exportado para o mundo em navios cargueiros atracados ao largo, por falta de um porto acostável.

FICHA TÉCNICA

Ciclo da terra

Vozes — Toty Sa’Med, Gari Sinedima e Jay Lourenzo 

Bateria — Helio Cruz 

Bateria programada — DH

Percussão — Yasmane Santos

Baixo Fretless — Mayo Bass

Guitarras, Violão 12 cordas e Violão — Toty Sa’Med 

Teclados, Vocoder Moog Bass — Nino Jazz 

Trompete, Flughelhorns arranjos de violino e metais — Christian Martinez 

Flauta e Sax tenor — Thierry Farrugia 

Tuba — Didier Havet

Harpa — Obile Abrell

Violino — Lysiane Métry

Ciclo do Fogo

Vozes — Selda, Katiliana e Nayela Simões

Arranjos, Baixo, Violão e Guitarras — Munir Hossn

Bateria — Tuur Moens 

Clarinete e Alto Sax — Ricardo Toscano 

Ciclo da Água

Voz introdutória — Sandra Cordeiro

Vozes — Emanuel Mendes, Bruno Neto, Gomes Domingos, Ndaka Yo Wiñi 

Percussão — Yasmane Santos 

Baixo Eléctrico e Baixo Fretless — Mayo Bass

Violão de 12 cordas, Violão, Guitarra, Cavaquinho — Toty Sa’Med 

Acordeão — João Frade 

Violino — Lysiane Métry

Arranjos de violino — Christian Martinez 

Ciclo do Ar

Vozes — Filipe Mukenga e Anabela Aya 

Bateria — Tuur Moens 

Baixo Eléctrico, Baixo Synth, Guitarras e Violão — Toty Sa’Med 

Teclados, Melódica e Vocoder — Nino Jazz 

Trompete, Flugelhorns e  arranjos de metais — Christian Martinez

Produção Executiva, Concepção, Letras, Textos e parte instrumental no “Ciclo da Água” — Filipe Zau

Músicas — Filipe Mukenga

Produção Musical e Arranjos — Nino Jazz

Técnicos de som — Waldemar Vilela (captação e edição) e Rui Guerreiro (mistura e masterização)

Ilustração da capa — Arlette Marques

Design — Ricardo Rodrigues

Gravado, entre 2014 e 2019, em estúdios em Luanda, Paris, Amesterdão, Lisboa, Faro e Los Angeles.

CICLO DA TERRA

(O REENCONTRO)

Após anos de separação justificados pela necessidade de trabalho pela sobrevivência, a revisitação do tempo em que os irmãos Augusto e Francisco, filhos de uma autoridade tradicional de Cabinda, passaram juntos uma feliz infância e adolescência, ocorreu, em Porto Amboim, numa humilde casa situada no Morro do Canivete. Augusto era maquinista do caminho-de-ferro e Francisco tripulante em navios da marinha mercante portuguesa. Perto da praia armazenavam-se os sacos de café torrado para exportação, que chegavam do interior em vagões atrelados a uma máquina a vapor, de nome Benguela-a-Velha. Ancorados ao largo, na grande baía de Porto Amboim, os porões dos cargueiros aguardavam pelos sacos de café, que, por falta de cais acostável, haveriam de chegar dos botes, que faziam a ligação entre a terra e o mar.  

(Augusto)

Numa aldeia em Cabinda

Eu nasci em Mandarim

Levo a máquina a vapor

Para a Vila de Porto Amboim

Seu nome Benguela-a-Velha

E levo o café da Gabela

P’ra antiga aldeia Kissonde

Ex-Feitoria de Benguela

Tentei a vida em Luanda

Tentei a vida em Malange

Cheguei a Porto Amboim 

Só eu cuidando de mim

Longe ficou o Chiloango

Só o Keve aqui perto

Trabalho sou maquinista 

Com rumo na vida certo

(REFRÃO)

Nos morros muita galinha

E também muito cabrito

Do mato vem carne de caça

De javali, veado ou pakassa

Mariscos vêm do mar 

Bom peixe e também o sal

Muita gente há a trabalhar 

Muita gente há a viver mal

   

(FRANCISCO)

Eu nasci em Mandarim

À beira de uma mafuma

Filho de Tiaba da Costa

Do Tratado de Chinfuma

De uma aldeia em Cabinda

Fui para Luanda e Malange

Com licença para embarcar

Entrei na dura vida do mar

A bordo sou um marinheiro

O camarote minha residência

O mar é o meu companheiro

Deu-me ao corpo resistência

Fiz faculdade no dia-a-dia

Fui de Lisboa a Bombaim

Fizemos escala numa baía 

Chamada de Porto Amboim

(REFRÃO)

Nos morros muita galinha

E também muito cabrito

Do mato vem carne de caça

De javali, veado ou pakassa

Mariscos vêm do mar 

Bom peixe e também o sal

Muita gente a trabalhar 

Muita gente a viver mal

(AUGUSTO)

Espero um dia chegar à Estação

E ter notícias do meu irmão

Porque o destino disse sim

Estou a caminho de Porto Amboim

(AUGUSTO)

Quero na mesa ver maiaka 

Quero na mesa ver tchikuanga 

Quero ver gingibre e cola 

E música na grafonola

Chamem gente da minha terra

Para connosco sentar à mesa

Já chegou a Porto Amboim

Meu irmão a seguir de mim

Quero na mesa uma jinguinga 

E um caldo de peixe seco

Quero na mesa vinho palheto

Da loja do senhor Barreto  

Quero lavados e penteados

Ver filhos e netos na mesa

Já chegou a Porto Amboim

Meu irmão a seguir de mim

Ao largo está a atracar

Mas o bote o irá buscar

Vamos hoje falar Ibinda

Nossa língua de Cabinda

(FRANCISCO)

Estava escrito nas estrelas

Que de tanto te procurar

Seria mesmo junto ao mar

Numa aldeia, vila ou cidade 

Que te abraçaria de verdade

Estava escrito nas estrelas

Que nos iríamos encontrar 

Para de novo conversar

Das coisas claras e escondidas 

Que compõem as nossas vidas

Estava escrito nas estrelas

Que nas nossas diferentes rotas

Teríamos vitórias e derrotas

Onde o navio fosse atracar 

Ou o comboio estacionar

Estava escrito nas estrelas

Que o caminho certo ou errado 

É o próprio destino marcado

Antes donos de terra e marfim 

Hoje vivendo uma vida ruim

Quero conhecer a cunhada

Quero abraçar os sobrinhos

Do navio trouxe bolinhos

E rebuçados para criançada

(AUGUSTO)

Me enamorei da Domingas 

Mãe dos meus primeiros filhos 

Com ela fiz a Isabel

O Chico, a Ana e a Edith

Outra filha mais pequena

Com a mãe então morreu

Houve um raio vindo do céu

E tudo em casa logo ardeu

Gostava de uma senhora

Que vivia na Gabela

E foi numa escapadela

Que com ela fiz a Elisa

Depois em Porto Amboim

Vi a Maria da Cruz

Com ela eu namorei sim

Mas faleceu ao dar à luz

Tua cunhada é a Tina

E o miúdo bem traquina

Malandro e possessivo

É o meu mais novo Ivo 

                

(FRANCISCO)

Eu espreitei pela vigia do navio

Logo imaginei os bons sinais

Como será então aqui o mulherio

A terra à vista e ali o cais

Há cerveja em todo o bar e muito vinho

Whisky, conhaque e bom champanhe

Em vez de me perder aqui muito sozinho

Que haja alguém que me acompanhe

Quando estou em alto mar

Sou escravo do dia-a-dia

Quando venho para terra

Sou dono de muita Maria

Todo gasto é muito perto 

No cabaré, música dançante e meretrizes

Chamo uma delas para mim 

Para o meu pé

E numa noite somos felizes

(UM MARINHEIRO)

Um olhar mais insistente

Um sorriso mais contente

A partir do meio do bar

Perto dela eu vou chegar

Um assunto sem assunto

Um querer aproximar

Um convite para dançar

Com ela eu vou ficar

Minha cabeça roda

Roda rodopia a gente

Um copo de gelo e whisky

Vai dopando a minha mente

Se é grande a confusão

Maior a minha solidão

Sem arte e sem magia

Durmo em cama vazia

CICLO DO FOGO

(À HORA DA PARTIDA)

Da gare da estação parte a máquina a vapor que atravessará os morros que distam de Porto Amboim à Gabela. No cais de madeira, as mulheres se despedem dos tripulantes que seguirão viagem com os porões do navio abarrotados de sacos de café. À hora da partida, são de angústia os apitos lançados pelo comboio e pelo navio ancorado ao largo, como se de um último reencontro se tratasse. O carvão incandescente faz deslocar em terra o Benguela-a-Velha, enquanto os ingredientes da “sopa de fogo” são cozinhados na casa das máquinas do navio, que se prepara para seguir para o alto mar. O choro das mulheres deixa de estar retido nas gargantas e se confunde com os apitos da partida. 

     

(a meretriz)

Vou estar no cais à tua espera

Quando chegares de viagem

Vou soltar o meu sorriso

Quando olhar a tua imagem

Para ti vou cozinhar

Acariciar-te as costas 

E à noite vou-te oferecer 

Os kitutes que mais gostas 

Quando na cama eu estiver 

E tu chegares ao pé de mim

Quero sentir o teu perfume

Esse teu cheiro a jasmim

(a consorte)

Eu sou tua mulher

E o homem da casa

Sou tua companheira

Para a vida inteira

Trabalho em casa 

E por vezes para fora 

Teu salário é pouco

E gastas feito louco

Eu sou tua mulher

Conheço-te bem

E acompanho à distância

O teu sai e vem

Sou a mãe do teu filho

De outros sou madrasta

Do que fazes por fora

Eu me calo quanto basta

Sou desejo por dentro

Uma caldeira a ferver

Vivo o ciclo do fogo

Em cada entardecer

Sou mulher ciumenta

E te amarro ao meu nó

Eu sou tua mulher 

E sou de um homem só

(A AMANTE)            

Estou contigo numa amizade colorida

Ou se quiserem, numa relação não assumida

Há pois quem diga que eu sou uma infeliz

Que me assemelho a uma meretriz

Estou contigo sem poder fazer alarde

De forma secreta, uma meia-noite ou meia-tarde

Sei que chegas tarde

De regresso ao teu abrigo

Mas o teu melhor ardil

É o de saíres com um amigo

Há pois quem diga que eu sou uma infeliz

Que me assemelho a uma meretriz

Na boca desta gente eu represento um perigo

Mas o meu maior pecado

É gostar de estar contigo

Até sempre meu amor

CICLO DA ÁGUA

(Do mar e da kianda)

Não me falem de mitos e realidades, quando, em pleno mar alto, o ciclo da água faz com que as vagas oceânicas batam sem dó no casco do navio. Se ela existe ou não, o certo é que a vejo entre as vagas do mar, sem a certeza ter de ser metade peixe e metade mulher. Sob a luz do luar, há sim uma parte mulher, com longos cabelos a cobrirem os seus seios. Pelo cheiro a maresia e canto sensual há, contudo, uma única certeza: vem de Luanda o encanto da Kianda. 

(1º marítimo)

No mar está minha vida

Minha vida está no mar

No mar está minha vida

Que é mais sofrida que vivida

No mar está minha vida

Minha vida está no mar

Do mar eu não tenho medo

Disso não faço segredo

Do imenso mar vem meu salário

E eu ganho menos que proletário

Medo eu só tenho da Kianda

E das calemas lá em Luanda

Mas se um dia a sereia me chamar

Se p’ras profundezas me quiser levar

Deixo para a família a melancolia

Deixo para os cabarés minha alegria 

No mar está a minha vida

Minha vida está no mar

No mar está a minha vida

Desculpe, já estou de partida

No mar está a minha vida

Minha vida está no mar

Do mar eu não tenho medo

Trato dele como brinquedo

Do imenso mar vem meu salário

E eu ganho menos que proletário

Medo só tenho do desemprego

Esse, sim, me tira o sossego

Mas se um dia a sereia me chamar

Se p’ras profundezas me quiser levar

Deixo para a família a melancolia

Deixo para os cabarés minha alegria 

No mar está a minha vida

Minha vida está no mar

(2º Marítimo)

Já naveguei muitas milhas a fio

Em grandes portos de mar e rio

Frente ao medo só fiz coragem

Em navios de cabotagem

Suporto muito o calor e frios

Onde navegam os grandes navios

Suporto muitas ondas infernais

Filhas gémeas dos temporais 

Há o desafio que vem da própria morte

E uma presença grande da Kianda

Há um jogo de azar ou sorte

Em águas longe de Luanda

(3º Marítimo)

Não sou nobre nem burguês

Mas também não sou gentio

Já foi mais de uma vez

Que joguei porrada no navio

Quem entender me chatear

Esteja em terra ou no mar

Vai ver que não sou pequeno 

Vai provar do meu veneno

Filho de um chefe tradicional 

Servente em navio colonial

Calejado em ventos e marés

Rei dos mais finos cabarés

Já recebi muito bilhete

Para logo desembarcar

Vou para na capitania

Ter de me apresentar

Quando fico sem mar alto

Sou dono do Cais Sodré 

Sou dono do Bairro Alto

Sou noite no cabaret

Filho de um chefe tradicional 

Servente em navio colonial

Calejado em ventos e marés

Rei dos mais finos cabarés

(4º Marítimo)

Subi à ponte do navio

Quis, à noite, olhar a lua 

E o cintilar brilho das estrelas

Desafiando o negro tom do breu

Que domina a vastidão do céu 

Rezo a Deus que está no céu

Rezo à Kianda que está no mar  

Não há por perto cais nem ilhéu 

Quanto desejo tenho de atracar

Subi à ponte do navio

Quis olhar a imensidão do mar

Havia sal e ondas colossais 

Feitas de ventos fora dos normais

Tudo para nos atormentar  

Rezo a Deus que está no céu

Rezo à Kianda que está no mar  

Não há por perto cais nem ilhéu 

Quanto desejo tenho de atracar

CICLO DO AR

(TEMPO DE RECORDAÇÃO)

O vento traz-nos ao cenário da nossa memória as melhores e piores recordações, que o ciclo do ar as consegue esbater. Só as grandes paixões resistem à erosão do tempo, que deixa no nosso corpo o inevitável ferrete da idade, na acção fecunda e libidinosa do ciclo da terra.

(HOMEM)

Agora é hora 

De por um fim já nesta história

Vens procurar-me pouco depois

Queres ir embora

Qualquer capricho que se prese

Tem seu tempo para acabar

Senão, como vou então me apaixonar

Oh, criatura

Em mim, há uma vontade muito grande de te ter

Há sim!

Vê-se depois, o que vai dar para acontecer

É preciso que logo digas o que afinal pensas fazer

Se é apenas p’ra te entreter 

Deixa-me então em paz

A amizade, deves saber, não dá lugar à sedução

Na minha idade já não se brinca com a paixão

Quando dançamos, teu corpo esbelto vai-se colando em mim

E se é para fugires, não dances nunca comigo assim 

Em mim, há uma vontade muito grande de te ter

Há sim!

Vê-se depois, o que vai dar p’ra acontecer

É preciso, que logo digas o que afinal pensas fazer

Se é para te entreter 

Deixa-me então em paz

Já é hora, de dizeres, o que tu queres

Criatura

O mundo é planeta cheio de mulheres

Podes crer

Agora é hora 

De por um fim já nesta história

Vens procurar-me pouco depois

Queres ir embora

(MULHER)

É sexta-feira luz do luar à beira-mar

Vestido negro na negra pele da cor do mel

Nostalgia e muita mágua 

À borda de água

Há uma mulher que ficou só

Perdeu sua beleza, afogou-se na tristeza

Jogou tudo na cartada da ambição

Entrou na ilusão 

Que riqueza é mais que tudo

E que amor com conteúdo nada é

Veio a baixa maré

Veio também a solidão

E perdeu o sentido 

Da paixão 

(HOMEM)

Um lilás cobriu o entardecer

No céu havia um espesso manto de gaz

A gravitar

Grávido de sonhos

Risonhos e juvenis

Um anis adocicou o fel

Que caiu mudo 

Na embriaguez 

cinzenta

Da minha vida isenta

De estar bem comigo

Iris

É um arco-íris visível

Através do meu cálice de mel

Mora comigo uma grande angústia

Marcada por uma grande vontade

Que por vezes

Ela é bem fintada

Pelas traições da minha idade

(HOMEM E MULHER)

Terno foi o pousar tímido 

Do teu olhar 

Que por instantes 

Se cruzou com o meu

Terno foi como antes

O suave aperto 

Do nosso abraço

Por mais um reencontro

Mas mais do que o mel

Do teu olhar

Foi, desta vez,

A sua suave carícia da seda 

Das tuas belas mãos

(HOMEM)

Te olhei no mais profundo dos teus olhos mulher

Quando encaraste os meus

Não sei se fugiste por medo ou pudor

Tudo acabou por acontecer

Entrei bem mansinho no teu espaço bem guardado

Tudo arrisquei em perder

Sou mero peão num xadrez em que és rainha 

Só por paixão irei vencer

Meus braços envolvi ao teu corpo

Na altura em que fomos dançar

Suave cheguei ao teu rosto

No tempo de nos achar

O teu perfume me embriaga

Só por azar é que não vai

Nasceu assim nova saga

De um prazer que não me sai

Fugimos para um mundo que é só nosso

De mais ninguém

Nos envolvemos na mesma chama

Nós acabamos por dormir na mesma cama

Terno calor que a gente tem

Meus braços envolvi ao teu corpo

Na altura em que fomos dançar

Suave cheguei ao teu rosto

No tempo de nos achar

O teu perfume me embriaga

Só por azar é que não vai

Nasceu assim nova saga

De um prazer que não me sai

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