Mitos Económicos de Angola — Ensaio sobre Liberdade e Criação de Riqueza

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Antes de distribuir riqueza, é preciso criá-la

Neste livro, o autor analisa e desmonta dezoito mitos amplamente difundidos no debate económico angolano, revelando como muitas políticas apresentadas como tecnicamente inevitáveis resultam, na realidade, de conveniências políticas de curto prazo. Inflação, controlo de preços, bancos públicos, subsídios, endividamento, planeamentocentral e tributação excessiva são examinados à luz da teoria económica,da evidência histórica e da experiência africana.

Autor: Oscar Mata

Editora: Perfil Criativo - Edições 

Ano de publicação 1ª edição: Setembro de 2026

ISBN: 978-989-9209-43-5

N.º de Páginas: 116 

Língua: Português

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Ao abrir este livro, o leitor encontrará uma reflexão sobre uma questão decisiva. Que factores influenciam os países a escolherem os seus modelos económicos? Essas escolhas incluem mais ou menos racionalidade económica? Será que a racionalidade política se deve sempre sobrepor à economia? Pode-se criar riqueza sem liberdade económica? É destas dúvidas, muitas vezes discutidas de forma pouco clara, que surgem os grandes problemas que analisamos ao longo destas páginas.

A racionalidade económica é clara. Antes de distribuir riqueza, é preciso criá-la. Para isso, é necessário respeitar regras óbvias — os recursos são escassos, o tempo tem valor e os meios escolhidos devem ser adequados aos fins. É um princípio exigente porque não permite atalhos nem ilusões.

Já a racionalidade política funciona com outra lógica. O seu objectivo não é propriamente a criação de prosperidade a longo prazo, mas a conquista de vantagens imediatas e a manutenção do poder. Por isso, os Governos tomam decisões políticas — porque trazem votos, apoios ou controlo imediato — que se revelam irracionais na economia.

É neste desencontro entre as duas lógicas que surgem os mitos económicos. Quando a política não consegue mudar as regras da economia, criam-se algumas narrativas que ocultam custos e prometem benefícios fáceis. Essas medidas são apresentadas como racionais, mas na realidade transferem custos para o futuro. Ao serem repetidas de forma frequente, essas narrativas acabam por ser aceites como verdades.

Ao longo da leitura, o leitor verá como esses mitos se formam e se consolidam através de um processo recorrente. Muitos têm origem em erros de compreensão económica — como acreditar que a economia pode ser planeada como uma máquina, confundir crescimento do PIB com bem-estar, ou supor que o Estado pode substituir com eficácia o investimento privado. Outros resultam da exploração deliberada dessas confusões, quando a política, conhecendo os limites da economia, procura ganhos imediatos ao manipular a moeda, baixar juros em vésperas de eleições, conceder subsídios e privilégios, ou apresentar opções políticas discricionárias como se fossem exigências técnicas inevitáveis. Em ambos os casos, essas construções discursivas moldam expectativas artificiais e condicionam a forma como a realidade económica é percepcionada.

Em ambos os casos, a função é a mesma — dar legitimidade a políticas que seriam rejeitadas se mostrassem os seus custos reais. O uso dos mitos permite colher benefícios visíveis antes que os problemas apareçam. Criam-se dependências sociais que transformam cidadãos em clientes do Estado. No curto prazo, cumprem a sua função política; no longo prazo, degradam a capacidade de criação de riqueza e estreitam o espaço da liberdade.

O preço final, porém, não desaparece. Ele recai inevitavelmente sobre a vida das pessoas. É neste ponto que se percebe o verdadeiro papel dos mitos — não são instrumentos de criação de riqueza, mas mecanismos de poder. Aquilo que é apresentado como racionalidade económica não passa, na maior parte das vezes, de racionalidade política disfarçada.

A leitura deste livro pretende ajudar o leitor a desmontar essas justificações aparentes. O objectivo não é apenas criticar políticas passadas ou presentes, mas sobretudo convidar a sociedade a recuperar o critério económico como guia para as grandes decisões que se devem tomar. Ao compreender como os mitos se formam, como se perpetuam e como influenciam o destino de um país — com particular incidência no caso angolano, mas com implicações que ultrapassam esse contexto — o leitor poderá avaliar com mais clareza as escolhas que lhe são apresentadas e perceber que só a criação de riqueza real pode abrir caminho para uma prosperidade partilhada.

Este é, em última análise, o propósito deste livro — aproximar o leitor do núcleo das decisões que marcam a vida de todos nós e mostrar que a separação entre a lógica económica e a lógica política não é apenas um exercício teórico, mas uma necessidade prática — e, talvez, também um imperativo moral — para que possamos, de facto, construir um futuro melhor. 

In APRESENTAÇÃO

ÍNDICE

Apresentação

Prefácio

Introdução

Nota Prévia do Autor

1 Intervenção no Mercado Monetário

Mito 1: “A Inflação é causada pela escassez de Produção local, e não pela Política Monetária”

Mito 2: “O Aumento das Taxas de Juro é suficiente para combater a Inflação”

Mito 3: “Os Bancos Públicos são essenciais para o Desenvolvimento Económico”

Mito 4: “Crédito Barato e Endividamento Público garantem um Crescimento Sustentável”

2 Intervenção no Mercado e Preços

Mito 5: “Controlo de Preços é essencial para evitar abusos no Mercado de Bens”

Mito 6: “Só a Regulamentação do Governo garante a Segurança e a Justiça Económica”

Mito 7: “Sem Subsídios, não há Progresso Económico”

3 Intervenção no Trabalho e Produtividade

Mito 8: “Forçar as Empresas a pagar Salários mais altos melhora a Economia”

Mito 9: “Criar mais Empregos no Sector Público resolve o Desemprego”

Mito 10: “Os Empresários ou são Políticos ou têm fundos de origem duvidosa”

Mito 11: “O Governo deveria controlar as Margens de Lucro das Empresas para evitar abusos”

4 Intervenção Estatal Generalizada

Mito 12: “O Planeamento Centralizado é essencial para o Crescimento”

Mito 13: “O Estado deve liderar o processo de Descoberta Económica”

Mito 14: “Angola é um país rico, mas a Riqueza está mal distribuída”

Mito 15: “Aumentar a Tributação garante os Recursos que reforçam o Crescimento”

Mito 16: “O Socialismo é o Sistema Económico que melhor defende os Pobres”

5 Instituições e Liberdade Económica

Mito 17: “O funcionamento das instituições é um problema do Estado, não da Economia”

Mito 18: “A Acumulação de Capital pelos Indivíduos é prejudicial porque aumenta a Desigualdade”

Conclusão

Bibliografia

  • Marca
  • Referência
    9789899209435
  • Data de disponibilidade
    2026-08-31
  • Condição
    Novo
  • isbn
    978-989-9209-43-5
  • ean13
    9789899209435
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