MÚRCIA

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Autor: Eugénio Inocêncio

Editora: Perfil Criativo - Edições

Ano de publicação: 2017 - Primeira edição

ISBN: 978-989-98398-9-2

Nº de páginas: 224

Capa: Mole com badanas

Medidas (Alt. x Larg. x Lombada): 240 x 170 x 15 mm

Peso: 0,450 Kg

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(...)

Desloca-se João por um carreiro, que caprichosamente serpenteia pela montanha. Se não o identificarmos poderá ser qualquer habitante das aldeias mais próximas, passando a ser, para todos os efeitos, «o habitante das aldeias mais próximas».

Se toda a Humanidade couber nessas aldeias próximas, será defensável dizer que esse montanhês é a Humanidade. A identificação de cada indivíduo com a Humanidade permite a quem escreve ser o veículo de personagens que se apossam dos momentos presentes e do futuro, sem as preocupações que nos condicionam e permitindo a criação de dia-a-dias especiais. Por isso, elas são lidas e ganham vida, pela imaginação dos seus leitores.

Assim, ele e ela, João e Maria, membros de uma espécie binária, tornam-se seres maravilhosos, próximos do divino da criação.

O ponto de partida da personagem que toma conta e preenche o escrito é um ser sem nome, distante, envolto numa névoa que potencia todos os atributos da natureza humana.

Se o montanhês adquire personalidade e passa a ser o João ou a Maria, então está pronto para se transformar quer numa personagem, quer num número de uma estatística.

Estou ciente que se fosse dada a oportunidade de escolher ao João ou à Maria prefeririam ser personagens de um escrito. E quem escreve percebe facilmente as razões de tal escolha: conduzem mais do que são conduzidos e moldam o mundo que o futuro irá construir. Daí o carácter divino das personagens e o domínio que exercem naquilo que se escreve.

Na cidade africana da Praia proliferam as pessoas anónimas que, pelo seu carácter, facilmente emprestam a alma de onde nascem as personagens, vestidas para dominar-nos e dominar. Pessoas que, como eu, vivenciam os sítios escondidos da cidade e disso retiram prazer e expectativas e que, com facilidade, se transformam em amigos e amigas.

Sobre a memória destes amigos e amigas nasceram as personagens que me conduziram por estranhos caminhos e que elegeram rainha, entre tantos, Múrcia, uma deusa-menina.

Alguns irão descobrir pedaços de seus caracteres nas personagens que a acompanham. Espero que gostem dos seus genitus.

As personagens que criaram este escrito fazem acreditar que o ser humano ocupa, de facto, um lugar especial no universo, e, logo, que cada indivíduo ocupa esse centro - necessário.

Assim sendo, e em consequência, nada pode ser reservado a uns poucos. Ou seja, tudo, incluindo questões como a filosofia, a política ou a economia, deve ser tratado enquanto se faz o que consabidamente todos fazem – e que constitui o que designamos do dia-a-dia.

A filosofia, a democracia e o desenvolvimento (a teoria e a estratégia) são os pressupostos que tornam efetiva a busca dos instrumentos e do contexto que conduzem à felicidade do indivíduo e ao encaminhamento da Humanidade.

O facto de a Humanidade ser uma espécie binária faz com que ele e ela tenham formas tão diferentes de sorrir. O que torna possível a produção do espanto e do sobressalto que são as portas do amor e da paixão. Por isso, a paixão domina as minhas personagens, o que as faz impositivas e exigentes de espaço.

Ah! Outro pensamento: muitas vezes, o sorriso que encanta e faz sonhar o João encontra-lo noutro João, o mesmo se passando com a Maria que noutra Maria encontra quem lhe faz bater mais depressa o coração.

A característica humana da homossexualidade cinde o núcleo binário da espécie e torna muito mais interessante (pelo menos) a literatura e facilita o equilíbrio da criação escrita.

No escrito que se segue, o leitor encontrará um capítulo (o IX) que corresponde a um pré-capitulo, que descreve o universo a que pertencem todas as personagens e que nos fornece o seu enquadramento.

Querendo, poderão - aqueles que se interessam sobretudo pela vida das pessoas que constroem as ideias - saltar este capítulo e, talvez, regressar a ele, depois de concluir a história narrada pelas personagens.

Outros, diferentemente, poderão começar por ler o dito capítulo, antes de ler o primeiro, onde tudo começa.

Este capítulo IX decorre no Farol da cidade, que ditou que a cidade seja o que é, e talvez por isso Múrcia e o Sr. Óscar escolheram o sítio para nos apresentarem o mundo do seu entendimento.

Do Farol, em dias especiais, ouve-se sons e suspiros que vêm do outro lado da baia, da tabanca da Achada Grande. Nesses momentos, as ondas regurgitam e, contrariando a natureza das coisas, nascem dos rochedos para o mar e quem assiste ao fenómeno reforça qualquer convicção que transporte consigo, mesmo as que tresmalham de mundos por inventar.

EUGÉNIO INOCÊNCIO (Dududa)

Economista, empresário, antigo jornalista, antigo embaixador. Foi um dos deputados do primeiro
parlamento cabo-verdiano, o parlamento da Independência. Tem o estatuto de Combatente
de Liberdade da Pátria, conferido pelo parlamento cabo-verdiano, foi membro da direcção nacional do PAIGC, à data da independência de Cabo Verde, rompeu com o regime de partido
único, em 1979, exilou-se em Portugal, durante a década de oitenta. Vive desde 1990 em Cabo Verde.

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